Interpretação da Letra Jeito de Mato, de Paula Fernandes.
Por Anaor Terris Rodrigues, fev 2020
Suponho eu que a letra da música Jeito
de Mato foi criada por Paula Fernandes, o que se não for verdadeiro, pouco
importará. É da letra desta música que discorrerei, eu acho. O ser humano é
vaidoso no sentido mais amplo da palavra, mas não quero entrar nesse
assunto. Mas para fins de interpretação desta letra de música, que é algo
longe de decifrar a beleza da arte musical contida nela, estarei me referindo a
uma vaidade adocicada. Se preferir, que não é ruim nem negativa, talvez. Quem é
portador de bons atributos, pode admirar desde que sem exagero, seus próprios
dotes, sem maiores constrangimentos.
Com compromisso de uma verdadeira autoria sobre esta interpretação - a inspiração de minha interpretação - "eu cito o mundo". Isso é Clarice Lispector que hoje são só ossos (ai de nós) e já tinha finalmente se finalizado muito antes de nascer Paula Fernandes, mas influenciou esse meu texto. Isso é Paixão Segundo G.H, Hora da estrela etc.
Com compromisso de uma verdadeira autoria sobre esta interpretação - a inspiração de minha interpretação - "eu cito o mundo". Isso é Clarice Lispector que hoje são só ossos (ai de nós) e já tinha finalmente se finalizado muito antes de nascer Paula Fernandes, mas influenciou esse meu texto. Isso é Paixão Segundo G.H, Hora da estrela etc.
“De onde é que vem esses olhos tão
tristes?”. Vem da "menina da voz doce", mas essa é a interpretação da própria autora que não me interessa. Antes de mais nada, a autora se refere aos seus próprios olhos.
Depois isso já é três graus acima de ela se achar bela. Explico: O primeiro
grau já acabei de expor: ela se acha bela. Apesar da escolha de uma parte
material corpórea, haveria mais do que beleza física, pois “os olhos são a
janela da alma”. Entretanto existe é claro a beleza corporal (rosto + corpo) ou
beleza exterior desvinculada de qualquer aspecto espirituoso ou de grandeza.
Todas estas características são consideradas, mas o destaque maior é dado para
a beleza física.
Eu já continuo falando da beleza, mas antes quero só lamentar que meus textos nunca estão concluídos, sempre lhe faltam atualizações seguida de finalização. Nunca finalizei-os. Acho que é porque não quero. Não gosto do fim? Não. É porque não tenho conseguido fazer isso.
Eu já continuo falando da beleza, mas antes quero só lamentar que meus textos nunca estão concluídos, sempre lhe faltam atualizações seguida de finalização. Nunca finalizei-os. Acho que é porque não quero. Não gosto do fim? Não. É porque não tenho conseguido fazer isso.
Sendo beleza difícil de dizer e
optando por alguma parte de seu corpo que a resuma, então se considera os olhos
como representantes de sua beleza que evidentemente é isenta de beleza erótica.
Será? De qualquer "jeito" são olhos de Paula Fernandes e docemente carregados nos cílios. Este é o segundo grau acima de ela se achar bela simplesmente, ou
seja a
chamada para seus próprios olhos. O terceiro grau, no qual realmente inicia-se
a música, refere-se a beleza da tristeza. Invertendo substantivo e adjetivo,
talvez se elucide melhor: tristeza bela. É aquele mesmo tipo de beleza que os
quase extintos emos,
cultivam.
“Campina onde o sol se deita”, compõe
o senário poético da cultura regional. Poético por dizer sobre a beleza do pôr
do sol, que ele “se deita”. "Campina" também compõe tal senário, mas
também revela o estilo musical, neste caso, um tipo de sertanejo, aquele de
raízes da vida no campo [e não no sertão].
“Do regalo de terra que o teu dorso
ajeita”, é um verso mais obscuro, podendo ser referencia a si
mesma. Mas enveredarei no que acho mais provável: algum homem que é belo para a
autora e que esteja trabalhando na fazenda que ela ali também está. A ideia de
labor vem do dorso ajeitando a terra. Dorso pode lembrar um corpo bem definido.
Como que se ela estivesse desejando ou contemplando algum elegante trabalhador
do campo. "Ajeitando a terra" pode ser fazendo atividades próprias do
campo como plantando, colhendo e etc.
“Dorme serena e no sereno sonha”, é
estético e tem objetivo de provocar ou despertar sentimento líricos no ouvinte.
Isso poderia se aplicar a toda a música, mas aqui mais. Se percebe isso ao
mesclar sentidos diferentes da palavra sereno. “Dorme serena", expõe a
identidade feminina da autora e talvez sua feminilidade. Em outros trechos, ela
se apresenta no masculino ou no impessoal, o que é algo comum de se fazer em
poesias, o que então não a torna uma ativista do feminismo. "Dormir no
sereno e sonhar no sereno" pode arremeter a um simples sono e sonhos
tranquilos enquanto ocorre o sereno “lá fora”. Mas também pode expandir e
interconectar de modo profundo o dormir tranquilo com o sereno e com o sonhar.
Esse modo profundo não saberei explicar porque seria descrever um sentido
poético puro. Por outro lado, volta a autora falar de si mesma, se
admirando ao dormir serenamente. Estou arriscando que possa significar alguma
destas coisas. Mas pode ser nenhuma, várias delas ou todas elas e outras que
não atingi. Isso será valido para vários versos,
desta música e de várias outras; e sobretudo para
a interpretação de vários outros interpretadores de música e
de quaisquer outras coisas da vida e do mundo.
“No sereno sonha”, é dormir ao ar
livre. Mas também pode ser ela dormir tranquila enquanto que o homem
de “belo dorso que prazerosamente ajeita a terra”, por sua ocupação está
locado de forma a quase dormir ao ar livre, próximo da natureza e que ele é
apaixonado por ela, que preza esse sentimento dele gostando de ser desejada.
Ela é a princesinha que dorme em um belo quarto seguro e tranquilo e ele é o
robusto belo, com jeito de homem do campo [jeito de mato] e que
está “caidinho” por ela.
Mas “dorme serena e no sereno sonha”,
pode significar também que ela fique pensando no sujeito antes de adormecer, o
que além de fazer seu sono tranquilo, faz ela sonhar com ele [no sentido de
desejo] que trabalha até tarde, ou seja durante a noite que serena. Por
isso ele é o sereno que ela sonha enquanto dorme serena. Mas sereno pode ser
simplesmente a noite e o sonhar pode ser desejar ardentemente. Então é quando
os desejos e lembranças se afloram durante a noite enquanto se
está deitado. Se sente então os mais íntimos e
profundos desejos. Lembranças invadem os pensamento.
É possível que este homem
seja seu marido, namorado, empregado, amante, pretendente ou que não exista tal
homem na realidade e que ele seja uma espécie de príncipe encantado dos sonhos,
ou que ele exista de outro modo e as características dadas foram acréscimos
poéticos.
“Dorme serena e no sereno sonha” pode
significar ter ficado ao lado ou abraçada ao sujeito, sob a noite, onde
se admira a própria noite e se usufrui de todo aquele
aconchego adormecendo ali tranquilos e apaixonados no sereno [ou
próximo a um lugar que caia sereno, próximo do ar livre].
Ou, em uma interpretação mais picante,
“dorme serena e no sereno sonha” é ter feito sexo apaixonado com o sujeito ao
ar livre meio a bela paisagem noturna e após isso, dormido eles [ou somente
ela] serenos, no sereno, literalmente.
Algo semelhante com “de onde é que vem
estes olhos tão tristes” ocorre com “de onde vem a voz tão risonha”. Está
dizendo que gosta de sua própria voz, o que compõe sua beleza e de como gosta
de si.
Se há uma continuidade e uma resposta
para de onde vem a voz risonha com “da chuva que teima mas o
sol rejeita”, esta continuidade poderá ser falsa ou verdadeira.
Se for falsa tem intenção de poetar a observação da natureza,
seus mistérios e beleza com a utilização do fenômeno da chuva e
da existência do Sol. É uma sentimentalização da
paisagem, do cenário.
Mas se a conexão for
verdadeira, poderá duplicar o sentido e manter o significado
anterior é claro, mas terá que alargar “Sol e chuva" para o que
significa estar vivendo no mundo, sobretudo se estender uma ligação intencional
aos os próximos versos: “do mato, do medo da perda tristonha,
mas que o Sol resgata, arde e deleita”. Sendo assim, chuva e sol é o
mundo, composto de toda natureza. Em “Mato, medo e perda tristonha” há
forte relação entre mato e medo. Pois mato, não é algo tão seguro, não
transmite sensação tão boa como campina, por exemplo. E claro, perda tristonha
está diretamente ligada com mato e medo e representam uma das partes ruins do
que compõe a vida, mas que poderia se estender para todo aspecto negativo que a compõem. Seriam apenas acontecimentoe sentimentos ruins
da vida, mas que vem a se confirmar na contextualização, a referência
a própria vida, quando expõe após os sentimentos e
acontecimentos tristes, aqueles que são positivos: “mas que o Sol resgata, arde
e deleita”. Isso então fecha o conjunto do que se quer chamar
de vida: acontecimentos e sentimentos ruins e bons e a própria
experiência de vida.
Seguindo a conexão entre os versos, o
viver e os sentimentos que nele estão, é o que trazem a “voz tão
risonha". Esta tem dois significados que se destacam. Voz risonha é a
própria canção composta. É daquilo que foi chamado vida (experiências
de vida, sentimentos disso resultante) que vem a canção produzida. É
da vida que vem a inspiração para a voz risonha, que é a própria canção.
Perceba que voz risonha é a pergunta que foi respondida, de que esta voz
risonha vem “do mato, do medo, da perda tristonha; mas que o sol resgata, arde
e deleita.”
Outro significado de voz risonha tem
sentido semelhante ao já descrito nos primeiros parágrafos, sobre apreciação
própria de alguma qualidade perante a si e aos outros, a vaidade. Neste caso
trata-se de uma apreciação poética, sem grandeza ou arrogância do
próprio timbre e tom de voz bons para cantar e encantar.
“Mas, que o sol resgata, arde e
deleita” representa um contraponto para a negatividade anterior de “mato, medo
e perda”. Expõe o otimismo que o contrabalanceia ou o supera. O deleitar é
viver um prazer e o arder é um prazer intenso, talvez relacionado a paixão, se
fizermos uma ligação com o que é citado posteriormente em “Acende os
corações”. “Deleitar”, “arder”, “Sol
resgatando”, “mel”, “acender os corações”, “cores vivas pelo
ar” e “brincadeiras” são mais fortes e numerosos do
que “mato”, “medo”, “perda tristonha” e “sair
cachoeira dos olhos”, daí a mensagem é que a vida é mais boa do que ruim; vida
esta que aliás é de onde vem as canções, como já mencionado, mas que continuará
sendo trabalhado na música.
Em “há uma estrada de pedra que passa
na fazenda, É teu
destino, é tua senda, onde nascem tuas canções”, a autora fala sobre o processo
criativo na música. Na parte musical, é este verso que ganha o clímax no
aspecto sonoro, na musicalidade, na melodia. É o ponto mais belo da
letra. Ela diz “teu destino, tua senda”, mas na verdade fala de si mesma. Do
seu próprio destino, seu próprio caminho e porque não de uma estrada imaginária
de pedras de onde nascem as letras das canções dela mesma? Talvez até
seja uma trilha real em sua fazenda que ao caminhar nela, tenha composto
ou ajudado a compor esta canção especificamente. Ou talvez realmente ela
costume caminhar nesta trilha para criar suas letras de músicas. Com a palavra,
os fãs de Paula Fernandes e talvez ela própria.
Pensar em uma estrada de pedra capaz
de gerar uma canção instiga a querer saber para onde vai tal caminho. Como que
se houvesse um lugar secreto para nascer a canção. Tinha-se visto que a canção
vem da vida, mas de que parte da vida exatamente? Há de haver um
momento e lugar do nascimento da letra, onde ela se
complete, onde ela passe a existir vindo ao mundo por completo. É o
momento da criação da letra da música.
Algumas músicas,
levam muitos a duvidarem que foi uma pessoa a ter criado, de que um
ser humano não seria capaz de criar uma melodia, um ritmo que é muito
mais difícil do que criar uma letra para a música. A letra é simples
poesia com ou sem rima que quase todo mundo faz. Mas ao
encaixar esta, com aptidão artística em uma melodia, pode
parecer para alguns que foi algo revelado do além. É só você pensar na
mais bela melodia que já ouviu, considerando mais sua musicalidade do que sua
letra.
Mas isso porque estas
pessoas não entendem que uma música não é gerada pelo menos na
maioria das vezes assim como em uma ejaculação espontânea.
A música em si é um trabalho já acabado, mas que pode ter
sido extenso. É produzida aos poucos nos estúdios, casando letra com
um ritmo e melodias que as vezes são ainda desconhecidos e muito diversos da
música acabada. A melodia também começa com esboço e com batidas até
desagradáveis. E pode ser feito várias alterações nos esboços iniciais,
incluindo na letra. A melodia pode não ser feita pelo mesmo criador
da letra. A criação da melodia por vezes é um
descoberta sonora feita aos poucos no estúdio entre
instrumentos musicais, batidas, tentativas, erros e acertos.
No entanto, existem poesias
magníficas, mágicas e superiores a uma música acabada. Inclusive aquelas
onde só há o cantor e seu único instrumento, que cria música
completa espontaneamente. E ainda assim serão músicas e poesias
eternas, pela grandiosidade do que transmitem para quem souber ouvir ou tiver a
sensibilidade ajustada ao nível daquela canção. Este ajuste as vezes é de
geração e as vezes impossível de ser feito. E acaba por se perder entre as décadas e em um mundo excessivo.
Poesias tratam diretamente do
magnífico e transformam as pequenas coisas em coisas arrebatadoras. Conseguem
fazer isso até com a patética paixão, imagina o resto! E há músicas não feitas
em estúdios que são tão angelicais que assim que existam anjos,
eles próprios se perguntam se é possível alguém fazer aquilo. Música
com letra não é superior a poesia, ela é um tipo de poesia cantada e que
acrescenta a audição as nossas faculdades de sentir poesia.
Eu estava pensando estes dias, quase
todas as músicas são tristes. Mas ao mesmo tempo dissolvem a tristeza nelas
mesmas. Gostaria de falar das músicas instrumentais, seus processos de
criação, de como são cósmicas, de como preenchem todo o vazio ecoando pelo
universo pela sua eternidade expressando uma finíssima e
delicada tristeza deste vazio, mas quase o tornando belo, mas não tenho
esta capacidade. Imagino o primeiro homem fazendo sua flauta perfurando
algum pedaço oco de osso e ali nascendo a primeira melodia que se eternizou com
o primeiro homem no universo. Apesar de esta melodia ter se perdido totalmente,
um dia este primeiro homem poderá vir a se encontrar novamente com sua melodia
que ainda ecoa em ondas cada vez mais dissolvidas no todo.
O mundo começou com uma melodia feita
por deus, logo depois dele começar a existir. Ela soa até hoje pelos
abismos do tempo em baixas frequências. Mas não pode ser detectada, nem
mesmo com esse negócio de sentir com o coração ou na detecção de radiação
cósmica de fundo.
“É teu destino é tua senda onde
nascem tuas canções” significa que fazer música é o caminho e o destino da
autora. Neste caminho se produzem as canções. Mas caminho
é citado como destino e destino como caminho. Talvez essa abstrata
estrada de pedra, tenha em seu destino, um lugar encantador, fantástico,
maravilhoso e sublime. O que mais poderia ter neste destino ao qual esta
estrada leva, pela qual seu mero caminho é capaz da criação? No caso aqui, da
canção, mas que expando para tudo. A
criação é a luz irradiando por todo o caminho do que haveria no seu
destino. Criação é o que mais irradia. Mas a luz da criação irradiando por todo o caminho que leva
ao destino é só para nós. Porque para o caminho,
a criação de todos os universos, é só um cisco, que ainda
está indo para o destino e não se sabe se chegará, pois poderá se perder do
caminho se for atingida, ainda que pela mais suave das brisas. Se isso
acontecesse, seria a pior desgraça de todas. A nossa sorte, é que não
impediria é claro, o cisco continuar sendo a criação e existência de
todos os mundos e daquilo que chamamos “tudo o que há”. O “há” é só a
parte de fora e a casca do cisco, que se visto de perto é enorme. Mas
existem bilhões de siscos no
caminho, alguns chegaram e outros não. O caminho tem árvores com suas folhas
balançando, que são o maior mistério de todos e ainda não foram
descobertos pela ciência. Muito mais complexo que
o cisco. Todo o caminho é formado por cada grão de terra que compõe o
caminho com suas devidas pedras nas bordas. No caminho há coisas bem
maiores indo ao destino, como pequenos animais. Mas o caminho é só um
caminho como qualquer outro, tantos que há pelo mundo. Todas as ruas da
terra saão caminhos. Digo isso porque Não quero
que interpretem que interpretei o fim do caminho com o divino. Não
quero transformar esse núcleo do caminho em um mero paraíso
após a morte. Não é disso que se trata, pois isso é coisa insignificante dentro
do sisco que
essa hora já deve ter desviado. No destino de uma trilha no meio do
mato haverá uma clareira, nada mais. Talvez um posso de agua. Caminhos e
trilhas levam a destinos, mas algumas trilhas não levam a lugar algum, pois por
desuso são tomadas de novo pela mata. Cada caminho um destino diferente.
Mas o caminho de pedra que passava na
fazenda era especial. Dele nasciam canções! Transformou a teoria do cisco
em mito e depois em palavras sem sentido. Sua irradiação era cada vez
mais forte. A visão que tive do que teria na sua chegada
tornou-se minha obsessão. Cogitei a sua existência real,
que nada teria a ver com um caminho ou chegada ao destino. Mas é o que eu
tinha na mão e não queria perder. O nada e o tudo juntos de vez enquando era a
aberração que substituíram a espiral e a singularidade. Outras vezes a este
bolo aberrante e aleatório se misturavam transformações e permanências e todas as
outras contradições e paradoxos que eu conhecia sem entender, mas principalmente aqueles que eu nao conhecia e ficava tão insuportável
que eu procurava de novo desesperado pelo cisco. As vezes deseja
arejar e ir passear em uma trilha e deixar que a natureza da trilha tomasse
conta de tudo por mim. Mas passei a desconfiar que a culpada dessa incompletitude que
gerava estas perturbações na compreensão era culpa da natureza.
. Só queria imaginar o quão Grande e perfeito conseguia atingir com minha próprio
imaginação para além do caminho/destino que cria canção.
Encontrei uma singularidade paradoxalmente mais luminosa do que toda luz
do universo, que de novo era sisco. Mas
olhei de novo e via o centro de um espiral para o qual tudo estava indo.
Aquilo não
era perfeito. Me senti envergonhado por dizer que queria imaginar
grandeza. Porque o que eu queria não era imaginar, mas ver e saber que existe,
conhecer, tocar, ir para lá, se tornar aquilo. Mas só poderia experimentar isso
com a imaginação mesmo. De outro modo não daria certo. Desde o
início não poderia ter querido encontrar perfeição porque
já parti de mim, que usa a palavra perfeição, que é limitado pela linguagem e
por isso acaba achando que ela representa algo real. É, não daria certo
porque partiu de mim e porque sou alguém. Quando se é alguém só é possível
procurar este tipo de coisa, mas nunca achar. Só se pode achar, quando não se
pode mais procurar. Este tipo de intenção não faz parte do que está no centro
do redemoinho. Mas nunca tinha tentado olhar
firme para o destino do caminho radiante. Antes foram somente olhares rápidos,
de relances. Olhei agora de modo mais fixo, como se já não tivesse aprendido a
lição de não olhar para aquilo. A radiação e a luz do caminho ao chegar no
destino tornaram-se algo muito maior do que o que poderia ser chamado de
luz. Até hoje nunca soube dizer o que vi e só lembro do trauma que ficou.
Só tem alguma palavra mesmo que medíocre para dizer o que era, talvez poderia
dizer algo impossível. Sim, eu havia olhado para o impossível. O trauma foi de
ter olhado para algo que ultrapassou a quebra da raiz da lógica. Porque achava que o
impossível não era possível. E eu tinha olhado para o impossível. E teria que
carregar mais essa contradição comigo. Porque nunca podeira ocntar a
ninguém porque não gosto de contar isso nem para mim, porque não consegui
entender o que significa o impossível acontecer. Mero capricho meu. A maioria
nem se importaria com a lógica e nem com nada disso. Quanto a mim, meu compromisso com a lógica semprre me ateapalhou bastante. Se trair a lógica me sinto próximo da loucura. É
isso que consegui tendo olhar a coisa. Um trauma
que trago ao me deparar com a minha linha divisória entre sanidade e loucura,
que agora sempre parece querer voltar, pois virou trauma. É invasivo. Queria
ver só o destino do caminho e acabei encontrando só o meu proprio limite
em forma de pavor de loucura e que me colocou mais próximo da loucura permanente.. Quando tento esquerdisso, no máximo que consigo ficar é perturbado. Isso me afetou profundamente. Ou talvez não tenha significado nada. Vários dias nao penso nisso. Aliás quase nunca penso nisso. Pois duvido até do que disse. Qualquer discrição do mundo é uma invenção e não passa de descrição de si mesmo. Tudo o que disse está semente dentro de mim, ainda que seja a tão mera idéia de que haja algo lá fora. Ou será eu meramente consequência do que realmente a lá fora que na sexta é tão diferente de como pensava ?Sobre o centro do redemoinho e o destino final do caminho, “é o que
eu não sei. Nunca soube”.
Mas continuarei com a interpretação.
Não há elementos que sugiram uma referência ao lugar aonde o caminho
chegue, além de que ele é o próprio destino. Mas isso já causa certa
inquietação por fazer pensar não haver um tão sonhado destino final, um
resultado da nossa vida e tão somente um caminho, tão mais importante que sua
chegada. Não que não haja uma chegada, mas
que ela não necessariamente seja boa ou coincida com o nada. Mas também chegada não deixa de ser uma parte do caminho, apenas.
Tenho que voltar estrita e especificamente a focar na
interpretação da letra da música, que é coisa mais importante de todos os
tempos para toda a humanidade. O caminho já seria o destino final. A
finalidade da vida se basta à vida e não à morte. O destino final será tudo o
que tiver feito pelo caminho e mais nada.
Mas, provavelmente o
destino da música não tem intenção de debater se há ou não
o sentido da vida, se há algo depois da morte, pois não fica evidente
"destino" estar se referindo ao grande destino final ou a um destino
como fim de um caminho e se lá terá algo ou não. Mesmo assim nos dá o direito
de pensar nisso. Dá-nos o direito de acreditar. A música limita-se ao
caminho ser destino e nestes nascerem canções. Não, não há tal limite,
tanto que me disseram que a música nos dá licenças ilimitadas. Não
sei se é verdade, mas vou usufruir.
O caminho gera canção, do destino
nascem canções, o destino é criar músicas, o caminho é criar músicas.
Necessariamente músicas tem que nascer no caminho ou destino tem que ter
sentido de caminho e não de chegada ao fim do caminho ou "cumprimento do
caminho", porque se não somente após cumprir o caminho se criaria uma
canção, ou seja, somente na morte que é o destino mais final de todos, é que
nasceria a canção. Se não quiser se referir a destino mais final como
a morte e sim o ponto culminante da vida, como a maior realização da
vida, ainda assim não iria satisfazer, pois seria como ter feito
apenas uma grande música antes de morrer. Por isso caminho e
sendas são melhores para nascerem músicas, do que durante a
morte. Destino é no sentido de aquilo que fui feito para fazer,
aquilo que farei para sempre, quero dizer até o fim ou enquanto puder
fazer. Mas deste não gostei, é cristão de mais. Um pouquinho até poderia.
"É seu destino é tua
senda”. Senda é trilha e então é um tipo de caminho. Caminho leva a
um destino. Destino é o lugar onde o caminho leva. Então é como que se dissesse
que aquele caminho é também o destino, ou seja é também onde ele chega. Destino
pode significar aquilo para o que a pessoa está predestinada, mas também é o
lugar para onde o caminho vai. Então há o uso da palavra destino com dois
significados, o de predestinação, o uso do dom de fazer músicas e destino como
lugar para onde vai o caminho. Mas destino não é o lugar que chega o caminho,
mas para onde ele vai. Há uma referência a tal lugar que é onde o
caminho chega, mas sem se estar nele ou sem ter ainda chegado. A autora quis
utilizar os trocadilhos dos sentidos dos termos alternando-os para aprofunda-los
ao utilizar caminho e destino. Ou talvez nem pensou em fazer isso, não
sei. Difícil saber, não sei
onde nasce uma canção. Não sei nem o que é uma canção porque de
saber, também não sei. Mas o que restou do sei, pode se comparar a algo tão nobre
e a altura da maior realização de uma vida ou mesmo com a luz que dizem ver ao
estar morrendo.
A minha fascinação em chegar ao
destino, ao lugar para o qual o caminho de pedras leva ou descobrir o que
haveria no destino do caminho mesmo, não é explorado pela letra da música,
porque caminho e destino acabam mais coincidindo do do que se
ansiando. Alias gostei
desse termo na aproximação tão diferente dos
sinônimo nas
poesias. Ansiando é o modo de ralação sinonímica entre caminho senda e destino.
Mas a música também poderia nascer lá no fim do caminho
como aquele clímax que eu procurava, tanto como
durante o
caminho que é o certo. Nascem as canções aonde? No caminho que é o destino.
Contudo se vislumbrei o que é fascinante no fim do caminho foi justamente
derivado da troca e combinações dos sentidos utilizados e não por este estar
intencionalmente na letra, o que não faz com que não esteja. Tal vislumbre se
derivou da letra da música pelas significâncias que causaram em mim somente por
causa da letra da música, então estavam escondidas nela. Então
percebo que a interpretação de poesias (no caso aqui música) podem transcender
a ela própria.
“As tempestades do tempo que marcam
tua história Fogo que queima na memória e acende os corações” me fazem refletir
no tempo. Somo formados pelo tempo. Somos o nosso passado até o presente. Quem
já morreu foi o seu passado, quem está vivo é o que foi até então. Os grandes
eventos da vida são as tempestades do tempo e marcam nossa história. Quando
então tentamos filosofar de que “o que passou, passou”, o que não deixar de
também estar certo, de que o passado não existe mais, sendo apenas uma
lembrança e, sendo isso um pouco triste, a letra traz uma oposição a este nada
passado: “é um fogo que queima na memória”. Então o que lembramos, destas
tempestades de tempo, os grandes eventos principalmente amorosos, são intensos
na memória, tanto que chegam a ascender os corações, o que significa
apaixonar-se no presente ou pelo menos sentir as mesmas boas sensações,
“entrando no clima” no presente agora, ainda que derivado de memórias passadas.
O restante da música expõe elementos
privados da autora que fala em Sete Lagoas e se tratar este o local onde
nasceu. Em "pés na terra nascem flores" e "brincadeiras"
podem referir-se a fatos e lembranças de sua infância, na sua terra natal,
embora eu tenha computado "brincadeiras" como parcela para a vitória
da positividade. Já em pés na terra nascendo flores não consegui tornar algo
positivo se quiser deixar pleno de sentido. Pés na terra e nascer flores não me
soa negativo, mas nascer flores dos pés na terra não ficou muito claro o
sentido. Seria uma modalidade de arado? Seria como plantar estando descalço ou
usar os pés para plantar flor ou outra planta? Ou mesmo plantar flor enquanto
estava descalço. Não tenho certeza do que seja "dos seus pés na terra
nascem flores" e nestas arriscadas que dei não consegui ver claramente uma
positividade, no contexto do verso, só nas palavras isoladas. Mas não me
arrisco nisso mais por não ter tido um nível razoável de certeza. Mas
existiriam níveis de certeza? Sim. Diz-se a fé ser um. Se nao fosse
a contradiria. Mas por esse motivo todo meu texto seria desprezível. Sim porque
não é de certeza absoluta que se interpreta ou analisa uma letra poética de
música. Acho que não fiz nem uma coisa e nem outra. Ou se fiz foi mais analise.
Devo ter feito isso somente em alguma parte desse texto. Cansei de dizer que ia
retomar a interpretação. Isso foi bonito mas não,
a maior
parte só foi resultado de inspiração sobre inspiração mesmo. Essa só minha. Ou
talvez muito pouco da autora. Se interpretei alguma coisa foi mais a mim mesmo.
Se consegui? Com certeza não. Tenho fé nisso. Que
tola minha
tentativa de fazer literatura, relendo agora não percebi não me pareceu tão intenso
como quando escrevia. Se não fosse cabeça oca, usaria o princípio da identidade
na interpretação. Claro que isso é mais um enfeite, não se usa lógica em
poesia. Ah, eu sempre quis falar isso. Na
verdade sempre
quis falar que ah, sempre quis falar alguma coisa. Então digo, literatura
pobre.
Os últimos versos antes das repetição,
de certo modo ou de outros modos continuam os processos das vaidades delicadas
e lírica que agora de tanto falar nelas passo a impressão não de que essa
música específica da Paula Fernandes é sua vaidade falando, mas que toda música
é feita com fundamento na vaidade algoz, venenosa pecaminosa. o que não é
verdade. Até porque então a vaidade estaria também nos textos em blogs
dos interpretadores
de letras de musica. O texto nesta
condição seria mal intencionado e seria a vaidade do interpretador falando. A
diferença é que seria uma vaidade menos potente, inferior e resmungona e que
não canta nada. Eu me livro disso porque nao sou um
interpretador de letras de musica. Meus textos são
muito casuais,
amadores e sempre limitados por minha prostração, cansaço e vazio na
cabeça. Nao digo isso com a vaidade de nao querer
ser amador. Nao te
contaria nem que me matasse os mais profundos e vergonhosos
motivos de
ter me preocupado com a interpretação desta letra que nem é tão boa assim e
partiu de uma escolha quase aleatória minha. E haverá melhores cantores. Eita vaidade
resmungona!
E com mais uma bela passagem onde se
misturam elementos da beleza e grandeza da natureza, com a amplidão que há
dentro do sujeito, que pode ser a amplidão que a autora vê dentro de si mesma,
mas que se aplica a todos os que buscam além das atividades cotidianas que
encerro esse texto. Acho que quase todos fazem isso em algum momento, que é
olhar para as “Espumas ondas, águas do teu mar”.
Terminei o texto com a
interpretação da musica e com
um verso entre aspas tirado da musica, não só por
respeito e inferiorização em relação a produção original, mas para comprovar
que não sei finalizar isso. Bom agora já acrescentei mais um parágrafo e dei
outro fim ao texto. Pra que isso? Ressentimento? Confronto? Competição?
hostilidade? Nada disso. Só sei que foi péssima finalização e deveria ter
deixado como estava: espumas ondas água do mar. Só mudei um pouquinho. É, o
final deste texto continuou ruim. É
que talvez
todo fim do que é bom seja assim mesmo. Aqui nao me
refiro nem ao meu texto e nem a produção original modificada mas a
vida. Isso é serio apesar
de banal como afirmação. É o que de mais sério há. Mas também motivos de
discórdia. Literatura experimental me libera prolixidade, fuga
do tema
e história sem fim? Também isso, mas
o que
eu falava antes é motivo de discordância. Por isso por enquanto prefiro as
ondas, espumas e águas do meu grande e imenso mar interior que agora não
precisam mais de aspas porque manipulei o mundo, mas que continuam vaidosas e
errantes para avaliar sua grandeza. E depois desejarei oceanos reais de água
salgada que cobrem meu planeta que é minha mãe. E que é mãe de minha mãe. Mas
longe de ser tudo o que há mesmo para além do ultimo vapor
do universo ou de Ícaro, a estrela mais distante. Preferiria eu a
costa destes oceanos na paisagem tao real
quanto a daqui da terra, ainda que em outro planeta ameno, por que terá praia,
areia e um sol menor e mais perto ou maior e mais longe.
Mas me contentarei com os oceanos
daqui desde que seja todo ele e com sua capacidade de diluir coisas. Percebi
oscilação da vaidade e procurei estacionar naquela que é diminuída mas ainda
assim bem acima daquela que nao da para
abaixar mais porque trata-se da própria vida e se confunde com amor próprio mas
que ainda esta bem
abaixo da auto estima e que nao é a
mesma de que se tem quando se percebe e se compara tamanho ou imensidão
infinita com menos do que o pó do pó que gira em torno de outro pó
infinitamente menor que nao tem
como diminuir porque se nao morre
ou nao mais
existe. Claro que não falo das incríveis partículas subatômicas. Estas são
gigantescas. Tenho que ajustar para auto estima inabalável e encontro excesso
do qual não posso sustentar. E só por nao conseguir
sustentar que
ajusto de novo mais um pouquinho. E ousadamente digo que ultrapassei o final
que não é mais só deste texto. E em toda minha vida é nisso que mais espero não
estar equivocado. A sorte é que não terá como eu estar equivocado porque mesmo
sem saber o que, a coisa só pode ser o que é e então espero só o que será e
nada mais. Mas temo quando acrescento esse nada mais por medo que ele seja a
coisa que é, temo que seja realmente o nada mais, como já me referi antes. Mas menti.
A muito tempo já superei o medo do nada
e entendi Epicuro. Não porque sou forte e para isso não precisa ser forte, mas
porque minha vontade é
irrelevante e fonte de engano. Mas não sei se o nada
é. Mas sei que talvez não tenha superado o medo dele não.
O nada ser, é a maior contradição
do mundo. Mas acho que não é bem disso que se trata. Mas me preparei para
o meu nada e é disso que se trata. Isso foi uma conquista penosa talvez a maior
da minha vida. Porém a todos e sem esforço isso também deixa livre o caminho
para receber, se houver o algo irradiante e de prazer inesgotável na fonte do
caminho de onde a estrada de pedra passa, o destino que é
para onde
vai o caminho. O próprio caminho, do que ele é feito, onde chega e a resposta
do porque existir
um caminho e todo o mundo a sua volta chamarei de núcleo do caminho. Claro não
terá só um caminho. Mas suponho aqui só um destino para chegar, esse núcleo
seja lá o que
ele seja. Mas além de tudo que esse núcleo contém, também há algo a mais que é
bom e impossível de explicar. Sei que inventei esse núcleo, mas ele é
radioso e
mais belo do que a essência da beleza e do sublime, se é que esse tipo de coisa
exista. Só não acho que este núcleo seja fonte de prazer inesgotável como
acabei de supor pois lembrei que isso é muito humano. Se houver deve ser mais
do que prazer mais do que qualquer coisa que conheço por palavras. Mas por
enquanto terei que morrer com a duvida de
atravessar o abismo sem saber se sairei do outro lado e se algumas dessas
coisas façam algum sentido. Por enquanto terei só que morrer, depois vejo o que
eu faço se houver algo a fazer, se conseguir resurgir desse nada que é estar
morto. O único jeito de fazer isso é superar o absurdo desta afirmação
contraditória, de que o nada é nada e nada surge dele. Agora posso apenas achar
que lado do abismo, sentido e núcleo
radiante são
meras palavras e que a coisa mesma se houver é indizível. Mas uma das
pistas da verdade sobre o núcleo radiante está na palavra utilizada: “houver”.
Esta é a mais meramente palavras de todas. Ou justamente por isso talvez seja a
única palavra com alguma remota, mas real distancia da coisa que
é. Já tinah abandonado faz tempo aquele
apelido que tinha dado: impossível. Aqui já não falo mais em sair
do outro lado do abismo mas encerro
o texto.
Não me importo se palavras que
digo não tenham sentido para mim não fora de contexto, mas mesmo no
contexto, as quais as inseri. E também que não tenham sentido para
você. Mas tenho medo que não tenham sentido real no
mundo. Tenho é temor de vir ter certeza disso. Meu único refúgio
é não saber, algo tão necessário para alguma certeza. Ou talvez nem me importe
com sentido de palavras, só com o sentido de tudo. Mas se for, é um se
importar mais brando, já resignado pela aceitação. Pelo menos em
teoria. É nela que venho concentrado minhas energias. Não é
necessário esforço por ninharias humanas. O terrível é
que essas migalhinhas que demos nome de Sentido,
saber, criação e experenciar são coisas pequenas, do nosso
tamanho e só até onde podemos chegar. Porque o evidente modo de transcender
tudo isso é apavorante e precedido da maior das agonias. A morte é o
momento mais soberano de uma vida, porque transcende a todas essas preocupações
mesquinhas humanas. É ali que poderá haver um vislumbre do olho do
furacão, o momento onde realmente naça uma canção que de tão bela jamais poderá ser
ouvida pelos vivos, pois talvez todos nós seremos uma canção eterna
flutuando. Porém pode acabar não sendo momento de se saber se não se
iria preferir ficar com as mesquinharias ou se realmente não ser nada tenha
esse terrível significado que é tão claro em nossa mente. não saberemos se não
ser nada é melhor do que ser um humano? Ser nada é tão claro e de significado
tão legível, apesar de não sabermos nada sobre o restante do mundo.
Pode-se nunca saber
disso. O problema é que de novo estou querendo saber. É isso que se deve evitar
sobre essas coisas. Não se pode saber o saber, só filosofar sobre isso. Só
falamos de um ponto máximo de tudo, porque o entendimento está acima desse
ponto máximo, o que pode por tudo a perder, porque nada garante a realidade
seja de fato assim. Ah! Como somos inocentes quando falamos em realidade,
porque falamos de algo que não temos a menor ideia do que seja. Aliás, isso é próprio
nosso e pode se estender a quase tudo de que falamos. Talvez a tudo. Caminhamos
e construímos civilização a paartir de conhecimentos razos, que de fato não se
conhece, mas que caminham sozinho e ganham força pela ganância, vaidade e
técnica. Sonhei com musica é tudo vibrava musica era só aumentar a
sensibilidade.
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